29.3.11

Mad World - Gary Jules




Mundo Louco
À minha volta são todos rostos familiares.
Lugares desgastados.
Rostos desgastados.
Claro e cedo para suas corridas diárias
indo a lugar nenhum.Indo a lugar nenhum.
E suas lágrimas estão enchendo seus óculos.
Sem expressão.
Sem expressão.
Escondo minha cabeça, quero afogar meu sofrimento.
Sem amanhã.
Sem amanhã.
E eu acho isso meio cômico.
E eu acho isso meio triste.
Os sonhos nos quais estou morrendo são os melhores que eu já tive.
Eu acho difícil te dizer
porque acho difícil de entender.
Quando as pessoas andam em círculos é
um mundo muito, muito louco.
Mundo louco. M
undo louco.

Crianças esperando pelo dia quando se sentem bem:
feliz Aniversário.
Feliz Aniversário.
E eu me sinto do jeito que toda criança deveria
sentar e escutar.
Sentar e escutar.
Cheguei à escola e estava muito nervoso.
Ninguém me conhecia.
Ninguém me conhecia.
Olá, professora, diga-me minha lição.
Olha através de mim.
Olha através de mim.
E eu acho isso meio cômico.
E eu acho isso meio triste.
Os sonhos nos quais estou morrendo são os melhores que eu já tive.
Eu acho difícil te dizer
porque acho difícil de entender.
Quando as pessoas andam em círculos é
um mundo muito, muito louco.
Mundo louco.
Mundo louco.
Ampliar o teu mundo
Mundo louco



Porque este mundo anda muito louco, as pessoas mais loucas ainda
.

6.3.11

ULVER - Solitude -




Solidão

Meu nome não significa nada
Minha fortuna está menor
Meu futuro está envolto em uma selva escura
Claridade está muito longe, as nuvens se prolongam
Tudo o que possuí – Agora se foi


Ah, onde posso ir e o que posso fazer?
Nada pode me satisfazer, só pensar em você
Você apenas riu quando lhe implorei para ficar
Eu não parei de chorar desde que você partiu

O mundo é um lugar solitário - você está no seu próprio
Acho que eu vou pra casa - sentar e lamentar.
Chorar e pensar, é tudo o que eu faço
As memórias que tenho me lembram você.

20.2.11

Velhas Árvores


Velhas Árvores - Olavo Bilac


Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...
O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres da fome e de fadigas:
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.
Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo. Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,
Na glória de alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

Perto dos meus 39 anos peço a Deus que eu seja como a árvore deste poema de Bilac, que todos que a mim vierem possam encontrar abrigo, sombra, amizade, bondade, serenidade e alegria aos que dela necessitam. Estou ainda longe disto, mas é o que quero buscar daqui pra frente a cada dia mais.

Quero envelhecer sem lamentar o tempo, mas agradecendo por vê-lo me moldar e que seja com saúde e sabedoria, que é tudo que sempre orei pedindo a Deus em minha jornada. Sabedoria como a de Salomão, coração como o de Davi e a alegria dos que permanecem aos pés de Cristo.

Um brinde à idade que se aproxima e que seja uma passagem serena a de Balzac para a Loba.

12.2.11

A Maldição da Dona Baratinha


Já ouviu falar da Maldição da Dona Baratinha?


Não? Então eu vou contar... vocês que são mães e pais, prestem bastante atenção. Não inflijam as suas crias esta maldição.

Tudo começou com uma meninha loirinha de seus 5 aninhos de idade. Pele branquinha, cabelos loiros ondulados, olhos verdes. Por conta destas características sempre era chamada para daminha de casamentos, peças de teatro na escolinha e para dançar e cantar.

Bem, nossa personagem foi escalada para participar da peça da Dona Baratinha que tinha fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Participou e desempenhou seu papel com maestria, não esqueceu a letra da musiquinha, o momento de entrar, o momento de falar. Enfim, esmeirou-se ao máximo para fazer jus ao papel principal, afinal era uma honra ser a dona Baratinha, que por ter achado dinheiro e ter no cabelo um lindo laço era mui cortejada. Primeiro veio o boi, mas seu mugido assustava a dona Baratinha, depois veio O sr. Burro, mas dona baratinha achou seu zurro muito alto e barulhento, então veio o cabrito e em algumas versões da história ainda aparecem outro bichos, até que apareceu Dom Ratão, todo eloquente, discreto e educado. Dona Baratinha não teve dúvidas e marcou seu casamento com ele, porém Dom Ratão também tinha seu defeito, era muito glutão, tão glutão que se pendurou na panela de feijão e caiu dentro dela. E foi achado ali, depois que todos preocupados foram procurar por ele achando que ele havia abandonado a pobre Baratinha no altar.

Ficou tão envergonhado que desapareceu no mundo. Dona Baratinha à partir deste dia ficou mais exigente e segundo reza a história ficava na janela a cantar para os solteiros a musiquinha que lhe rendia tantos pretendentes.

Tá, você a esta altura deve estar se perguntando, aonde entra a maldição da Dona Baratinha? Bem, reza a lenda que depois desta menininha, há exatos 33 anos e 11 meses, todas as menininhas que representam esta peça passam a vida na janela, cantando a musiquinha, passam todos os pretensos pretendentes, mas ao final, passados muitos anos, elas ainda estão na mesma janela esperando a vinda do seu Baratinho. O detalhe é que a Dona Baratinha fica enrugadinha, o laço anda desbotadinho e o dinheiro da caixinha já não tem mais o valor de antes.

Então pais e mães, atentem para a Maldição da Dona Baratinha e não inflijam a suas lindas menininhas este papel de dona Baratinha.


Texto por Andréa Lima (esta que vos escreve)

6.2.11

'Your Song' Ellie Gounding

Encontros nos Desencontros

Quando te encontrei, não estava te procurando.
Coração quebrado no peito, decepções.
Quando te encontrei não estava te esperando
A dúvida e a desconfiança ainda batiam à minha porta.

Quando te encontrei, você não estava me procurando
Coração quebrado no peito, decepções
Quando te encontrei, você não estava me esperando
A dúvida e a desconfiança batiam à sua porta.

Quando nos encontramos
Corações quebrados no peito
decepções....
Quando nos encontramos
Desesperança, dúvida
Desconfiança

Estas foram nossas bases...
Tentei construir uma história...
dois anos passados...
idas e vindas,
história fragmentada.
Confiança criada aos poucos... intimidade...
mas ainda desencontros... vidas quebradas.

Quando me despedi, não queria ir
Coração quebrado, tristezas
Quanto me despedi...
O amor pulsava no peito.

E por mais que me despeça...
ainda estarei aqui
... e o amor pulsa no peito.


Texto por Andréa Lima.

28.10.10

Tempos Modernos - Texto por Andréa A. Lima

Carlos estava empolgado. Contava as horas para o final do expediente, afinal depois de meses, desde que vira Marcinha pela primeira vez na empresa, tomara coragem e chamou-a para irem a um barzinho perto do trabalho. E ela topou. A única condição era que ela pudesse levar uma amiga, Carolina, que ela conhecera também na mesma empresa.Carlos não se importou. Até ficou conjeturando que talvez fosse porque Marcinha era tímida. Afinal, várias vezes ele a encarara, mas ela sempre desviava o olhar e quando ele fazia alguma brincadeira, ela enrubescia e ficava sem jeito. Talvez fosse daquelas moças de família às antigas que levavam “vela”. Bem, ele realmente se encantara por ela e estava disposto a levar um relacionamento sério. Passou o dia envolto nestes pensamentos.

Enfim, chegou a tão esperada hora. Carlos passou no setor de Marcinha, Carolina já estava lá, as duas estavam conversando muito próximas, falavam baixinho, quando ele chegou deu para notar que elas mudaram de assunto. Ele ficou empolgado! Claro, era dele que estavam falando. Ele ficou contente, pois agora ele tinha mais um motivo para achar que o interesse era mútuo. Ele as cumprimentou e os três saíram animados para o barzinho.

Ficaram no barzinho umas três horas, conversaram sobre assuntos diversos, faculdade, a careca do Dr. Souza, o chefe de Carolina, que além de chato, não assumia a calvície e tinha o péssimo hábito de pegar os ralos cabelos que ainda teimavam em aparecer nas têmporas e penteá-los sobre a calvície o que o deixava com um aspecto medonho, e ainda por cima dava em cima de Carolina o dia todo. Riram da situação e Carolina, rindo, disse que o denunciaria por assédio sexual, claro que era tudo uma brincadeira, porque apesar de chato o Dr. Souza era das antigas e o máximo que fazia era chamá-la de flor e dar umas piscadelas para ela e nunca tinha lhe faltado com o respeito. Falaram sobre filmes, livros e arte. Carlos estava embevecido, afinal além de linda, Marcinha demonstrava gosto apurado para artes e era muito inteligente. Em determinado momento, ela se levantou e disse que ia ao banheiro, no que foi seguida por Carolina, afinal, pensou Carlos, mulheres sempre vão ao banheiro em bandos. Ele daria tudo para ser uma mosca e estar lá para ver o que falariam. Tinha para si que falariam dele, afinal, pegou uns olhares furtivos de Marcinha para ele, e de Carolina para Marcinha. Olhares que pareciam contar algo uma para outra. Aguardou ansioso a volta das duas. Ficaram menos de dez minutos no banheiro, mas para ele pareceram horas. Conversaram mais um pouco, mas logo pediram a conta, afinal, no dia seguinte os três teriam que estar no trabalho cedo.

Carlos foi caminhando com as duas até o ponto de ônibus de Carolina e Marcinha. As duas pegavam ônibus no mesmo ponto, porém para lugares diferentes. Carlos estava torcendo para o de Carolina chegar antes do de Marcinha para ver se rolava um beijo. Ele tinha carro, mas estava no conserto, a pastilha de freio estava gasta e quase falhou com ele no início da semana. Queria que o carro estivesse bom, afinal seria melhor para estar com Marcinha, mas enfim, melhor era ser prudente. E aquele era somente o primeiro de muitos encontros, não é mesmo? Esperaram, uns dez minutos, quando o ônibus de Carolina apontou ao longe, ele ficou empolgado, o coração acelerado. Então viu que Marcinha foi até Carolina para se despedir, foi quando ele ficou estatelado, Carolina e Marcinha se olharam e se beijaram na boca, apaixonadamente. O ônibus chegou, Carolina entrou. Carlos, parado, atônito, pensou: - E agora, seu Carlos, quem é a “vela” afinal?